Alunos do ensino médio reproduzem bonecas símbolo da resistência à escravidão

Apesar de a espécie humana ter evoluído muito nos últimos dois séculos, alguns assuntos ainda parecem estar estagnados ou terem retrocedido. O racismo contra os negros é um deles. Segundo um relatório divulgado pela ONU em 2014, os afro-brasileiros são os que mais são assassinados, os que têm menor escolaridade, menores salários, menor acesso ao sistema de saúde e os que morrem mais cedo. Também são os que mais ocupam as celas do sistema prisional e os que menos ocupam postos nos governos. Segundo o relatório, o desemprego entre os afro-brasileiros é 50% maior que o restante da sociedade, enquanto que a renda é 50% menor que a registrada entre a população branca.

Pensando nisso, as professoras de geografia, Patricia Hoepers, e história, Mara Laffin Meyer, propuseram uma experiência aos alunos do 2º ano do ensino médio, convidando-os a falar abertamente sobre a situação do afro-brasileiro desde o tempo da escravidão até os dias de hoje. O trabalho teve início com explanações sobre o processo de escravidão negra no Brasil, leis abolicionistas, cultura africana e o racismo (origem, causas e consequências). Para finalizar, os alunos tiveram a oportunidade de reproduzir um símbolo de resistência à escravidão: as bonecas Abayomi (o termo significa ‘Encontro precioso’). Feitas de retalhos e sem costura alguma, as bonecas são um elemento de afirmação das raízes da cultura brasileira e também do poder e determinação das mulheres negras, já que historicamente eram produzidas pelas mães para acalmar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos tumbeiros que transportavam os escravos da África para o Brasil. As mulheres africanas rasgavam retalhos de suas saias e, a partir deles, criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção.

 

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